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Telefones
Mudos
08.10.2011
Alguns
eventos do ano em que eu estava na sexta série não me são nítidos.
Mas aquele anoitecer de primavera em 1967. Ah! Dele me recordo com
clareza.
Estou
sentado no quarto de meus pais. Eu esperava o telefonema antes do
jantar. Ele não veio. Eu ouviria o telefone tocar durante o jantar.
Ele não tocou. Agora estou fitando os olhos no telefone esperando
que o técnico da Little League me diga que estou em seu time de
beisebol. Já está quase na hora de ir para a cama. E o telefone
nunca toca. Fica mudo. Um silêncio doloroso.
Você
conhece essa sensação. O telefone também não tocou para você.
Quando você se candidatou para o emprego, o telefonema nunca veio.
Você conhece a dor de um telefonema que não vem. Todos conhecemos.
Somos
“ignorados”. Este era o caso de Davi. “Ele estava
cuidando das ovelhas”.
A
história de Davi começa não no campo de batalha com Golias, mas
quando Samuel segue o caminho para Belém. Seus pensamentos correm.
É perigoso ungir um rei quando Israel já tem um. Contudo, é mais
perigoso viver sem um líder nesses momentos explosivos.
Os
filisteus: um povo dado à guerra, sedento de sangue e fonte de
gigantes, que monopolizava o ferro e o trabalho dos ferreiros. Os
filisteus faziam armas de ferro; os hebreus lutavam com fundas e
flechas grosseiras. Ora, em uma batalha todo o exército hebreu só
tinha duas espadas - uma para Saul e a outra para seu filho Jônatas
(1 Samuel 13:22).
Samuel
viera para sacrificar a Deus em Belém e convida os anciãos, Jessé
e seus filhos para se juntarem a ele.
Samuel
examina-os de vários ângulos, pronto, por mais de uma vez, para
dar-lhes a distinção máxima; mas, em cada uma delas, Deus o
impede.
Eliabe,
o mais velho, parece a escolha lógica Este é o cara, pensa Samuel.
“Errado”, diz Deus.
Abinadabe
entra como o segundo irmão e concorrente. Quer um rei estiloso?
Abinadabe tem esse perfil. Deus não está interessado em estilo.
Samuel
pede para que entre o terceiro irmão, Samá. Samuel fica
impressionado, mas Deus não. Deus faz o sacerdote se lembrar: “O
Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas
o Senhor vê o coração”
(1 Samuel 16:7).
Sete
filhos passam. Sete filhos fracassam. O desfile pára. Samuel conta
os irmãos: um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete. Jessé, você
não tem oito filhos?
“Ainda
tenho o caçula, mas ele está cuidando das ovelhas” (16:11).
O
termo hebraico para “caçula” é haqqaton e indica mais do
que idade; sugere posição. Cabe ao haqqaton da família cuidar das
ovelhas. E é ali que encontramos Davi, no pasto com o rebanho.
O
que levou Deus a escolhê-lo? Queremos saber. Realmente queremos
saber. Afinal, andamos pelo pasto de Davi, o pasto da exclusão.
Estamos
cansados do sistema superficial da sociedade, de sermos
classificados de acordo com os centímetros de nossa cintura, os
metros quadrados de nossa casa, a cor de nossa pele, o modelo de
nosso carro, a marca de nossas roupas, o tamanho de nosso escritório,
a presença de diplomas, a ausência de espinhas. Não estamos
cansados desses joguinhos?
O
trabalho duro é ignorado. A devoção não compensa. O chefe
prefere a segmentação ao caráter. O professor escolhe alunos
mimados em vez de alunos preparados. Oh, o Golias da exclusão!
Você
está cansado dele? Então é hora de parar de olhar para ele. Quem
se importa com o que ele ou eles pensam? O que importa é o que o
seu Criador pensa. “O Senhor não vê como o homem: o homem vê
a aparência, mas o Senhor vê o coração” (16:7).
Essas
palavras foram escritas para os haqqatons da sociedade, os que se
sentem como peixes fora d'água, excluídos. Deus usa a todos eles.
E
Davi? Deus viu um adolescente servindo-lhe lá no meio do mato, em
Belém, entre o tédio e o anonimato, e, com a voz de um irmão,
Deus chamou: “Davi! Entre. Alguém quer vê-lo”. Os olhos
humanos viram um adolescente magricelo entrar na casa, cheirando a
ovelha e com a aparência de quem precisava de um banho.
Contudo,“o Senhor disse: É este! Levante-se e unja-o”
(16:12).
Deus
viu o que ninguém viu: um coração que o buscava. Davi, apesar de
todos os seus defeitos, buscava Deus assim como uma cotovia procura
o nascer do sol. Ele buscava o coração de Deus, porque esperava no
coração de Deus. No final, é tudo o que Deus queria ou
precisava... quer ou precisa. Outras pessoas medem o tamanho de sua
cintura ou de sua carteira. Deus não. Ele examina corações.
Quando encontra um coração que está nele, Deus o chama e o
reclama para si.
A
propósito, você se lembra de quanto esperei pelo toque do telefone
naquela noite? Ele nunca tocou. Mas a campainha da porta sim.
Era
o técnico. Ele deu a entender que eu havia sido o primeiro a ser
escolhido e achou que um assistente havia telefonado para mim. Só
depois descobri a verdade. Eu havia sido o último a ser escolhido.
E, não fosse o telefonema de meu pai, talvez eu ficasse de fora do
time.
Mas
papai telefonou e o técnico apareceu; e eu fiquei feliz em jogar.
A
história do jovem Davi dá-nos esta garantia: seu Pai conhece o seu
coração e, por causa disso, ele tem um lugar reservado somente
para você.
Extraído
e adaptado do Livro: Derrubando Golias
Autor:
Max
Lucado
Para
Meditar: "Eu amo aos que me amam, e os que diligentemente
me buscam me acharão." Provérbios 8:17.
Oração:
“Senhor, eu Te busco de todo o meu coração, pois só o Senhor é
Deus e em nenhum outro há salvação. Pai, eu Te peço que seja o
meu escudo e proteção para que eu possa derrubar o Golias que tem
agido em minha vida, pois em nome de Jesus sou mais do que vencedor.” Amém.
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